Scalabriniano é o adjetivo caracterizador daqueles que se deixam interpelar pelas pessoas em situação de migração e que se dispõem a desenvolver e intermediar os valores da acolhida como fundamento das relações, pois Jesus disse: “Eu era migrante e você me acolheu” (Mt 25,35); da universalidade; do empreendedorismo; a ética nas relações, em todo o ambiente escolar sob orientação da Coordenação Scalabriniana de Pastoral Escolar – CSPE.

O termo “scalabriniano” tem sua origem etimológica no sobrenome do beato João Batista Scalabrini, Pai e Apóstolo dos Migrantes e fundador da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas que possuem como co-fundadores os Servos de Deus Pe. José Marchetti e Madre Assuntam Marchetti e cuja finalidade é colaborar na preservação da fé nos migrantes e atender as pessoas mais vulneráveis entre eles.

Scalabrini, na segunda metade do século IXX, foi o maio conhecedor do fenômeno migratório que assolava a Itália, trabalhava nas frentes política, social e religiosa para produzir leis de proteção aos direitos dos migrantes, criar obras de assistência e promoção dos migrantes e chegou a propor ao Vaticano a criação de um órgão eclesial para defender e conservar a fé nos migrantes.

Scalabrini disse que “a Pátria do homem é a terra que lhe dá o pão”; “Migram as aves… Mais que tudo migram os homens rumo à meta”; “Não é vergonha migrar. Vergonha é fazer migrar”; “Devem andar sempre juntas: Pátria e Religião”. “Criar escolas”. Todos estes dizeres aplicados produzem a “cor” scalabriniana com a qual desejamos pintar a Educação Scalabriniana Integrada.

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Assim, a Congregação das Irmãs Missionárias Scalabrinianas de São Carlos Borromeo nasceu da intuição profética do “Pai dos Migrantes”, que no final do século XIX participou da dramática situação dos migrantes que abandonavam sua pátria rumo à terra desconhecida. Ele dizia “No rosto do migrante vejo o rosto de Cristo”. Via nas pessoas coagidas à migração, o Cristo obrigado a fugir de sua pátria, a exilar-se em terras estrangeiras porque era perseguido. “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para lhe tirar a vida” (Mt 2, 13b).

As migrações humanas tiveram lugar, em todos os tempos, e numa variedade de circunstâncias. Têm sido tribais, nacionais, de classes ou individuais. As suas causas têm sido políticas, econômicas, religiosas, ou por mero amor à aventura. Os seus resultados, são fundamentais para o estudo da etnologia, história política ou social, e para a economia. Hoje, também na referência da nossa missão atual. Dom Scalabrini desenhou um projeto de evangelização integral para a causa da mobilidade humana, tendo como pilar o migrante, sua promoção e a vivência de sua fé.

“Migram as sementes nas asas do vento. Migram as plantas de um continente a outro, levadas pelas correntes das águas. Migram os pássaros e os animais. E mais do que todos, coletiva ou individualmente, migra o próprio homem, sempre como Instrumento da Providência, que preside os destinos Humanos, inclusive através de catástrofes, rumo à meta final que é o aperfeiçoamento do homem sobre a terra”. (João Batista Scalabrini)

A ação educativa Scalabriniana diante do apelo da Igreja e ao encontro do desafio da mobilidade tem como ponto de partida sua missão que consiste em “promover uma educação de excelência na diversidade, formando pessoas comprometidas com a cidadania universal, fundamentada nos valores cristãos”. É necessário empenhar-se na transformação do mundo colocando como compromisso a evangelização e a valorização do ser humano enquanto filho de Deus, resgatando-lhe a dignidade. As “diretrizes para uma educação Scalabriniana”, onde “a escola procura afirmar no seu cotidiano a grandeza do homem e da mulher como uma imagem e semelhança do Criador” (Gn 1,26).

Educar sempre se apresentou como uma tarefa essencial e não obstante complexa. O maior risco dessa complexidade é comprometer o essencial, isto é, a formação da pessoa na sua integralidade, considerando a dimensão horizontal (humana) e vertical (espiritual) da educação.

Vivemos hoje num cenário de mudanças velozes, na sociedade, na igreja, na família, na escola em rápida transformação. O ser humano está ausentando-se da vivência dos valores evangélicos e cristãos. O próprio Jesus não apenas dá a vida, mas também comunica a vida eterna, transmite a transcendência da vida divina em abundância: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (Jô 10,10). Jesus confia à Comunidade Educativa a missão de educar, cuidar com amor e zelo das crianças, jovens e família, por meio de uma educação que transcenda a sala de aula e eduque para a autonomia, a solidariedade e a cidadania universal, realizada no “pluralismo e na atualização constante de suas formas e meios” (cf. Constituições Mscs,, 1985, n.98.p.41). Com a finalidade de promover o desenvolvimento do ser humano em todas as suas potencialidades, como ser individual e relacional consigo, com os outros, com a natureza e com Deus.